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domingo, maio 13, 2012

Sou uma cebola primadonna com crise de identidade

Sou uma cebola.
As pessoas pensam que eu sou um coco, pouco mais que uma cabeça dura e oca, cheia de ar e piadas.
Outras pensam que eu sou um nabo. Branco, sensaborão, e sem nada de particularmente novo para acrescentar ao paladar mental.
Outras, julgam que sou uma malagueta, sempre de cabeça quente e resposta rápida, capaz de queimar tudo.
Mas não.
Sou uma cebola.
E o grande problema é que ninguém gosta particularmente de cebolas.
Não são frescas como as laranjas, nem doces como os morangos.
Ninguém aguenta comê-las cruas, e ninguém quer passar da primeira camada porque eventualmente fazem alguém chorar.
E ninguém quer chorar.
E é por isso que eu, cebola, sou incompreendido.
Porque compenetrar nas camadas dá trabalho, é muito mais fácil verem me como uma malagueta ou como um coco, tudo frutas mais interessantes que a cebola.
Para quê ir à cebola quando se pode perfeitamente comer uma papaia, um morango ou um abacate que pouco mais têm a oferecer que meia dúzia de dentadas despreocupadas e um gostinho adocicado na boca?
Para ajudar à festa, eu sou uma cebola com grandes sonhos.
Porque é justo que até as cebolas tenham pelo meio das tantas camadas um ou outro sonho esporádico para escapar à possível mediocridade de acabar no meio de uma salada de Snack bar, ou como enfeite de banca de mercado.
Quero marcar o palato do mundo.
Virar gourmet.
Reinventar o conceito de cebola.
E nem é pedir muito pois não? estes sonhos são quase sempre infrutíferos, porque eventualmente me apercebo "hei, sou uma cebola, não sou uma courgette".
E lá dou por mim picado de aflições, em refogado a ponderar sobre o que vai ser desta singela cebola num mundo em que se querem morangos e bananas, de fácil acesso e ingestão.

quarta-feira, novembro 23, 2011

Certezas cegas

O certo às vezes é o que mais custa.
Digo e faço o que sei que devo, porque não dá para o fazer de outra maneira.
Sei que tenho que seguir este rumo específico, porque é o único que faz sentido... mas DÓI.
As forças esvaem-se como se perdesse sangue, uma hemorragia de desilusões e constatações óbvias.
Claro que no fim do caminho está o meu lugar seguro, mas às vezes pondero se estou efectivamente seguro lá.
Dizem que ter razão facilita as coisas, que tendo uma consciência tranquila ficamos automaticamente mais leves. Acho que quem disse isso nunca teve que fazer "o correcto".
A razão está para tudo isto como uma aspirina está para um tiro no braço, pode ser muito bom ter a aspirina à mão, mas tecnicamente ela não serve de nada.

Teoricamente, tomar a atitude correcta é como cortar manteiga com uma faca quente, uma tarefa rápida e quase agradável, um obstáculo quase inexistente, sem fricção ou atrito que se oponham.
Mas na realidade é o equivalente a andar descalço num caminho de estilhaços de vidro para chegar a um lugar seguro.
E o que resta é suportar.
O que custa, é que nesta estrada de vidro partido, só podemos andar pelo próprio pé.
Podem estender-nos a mão, e incentivar a continuar em frente, a não desistir...
Não vai deixar de doer.
O certo às vezes é o que mais custa.
Não é uma relação exponencial de grau de significado/custo efectivo de acção, é apenas um peso desconfortável que fica preso na garganta...
O certo é o que mais custa, por muito certo que seja.

sexta-feira, agosto 05, 2011

Pó de arroz e Pólvora

Acho que o meu problema foi ter nascido com uma consciência defeituosa. Não uma consciência que não funciona, apenas uma que consegue levar-me a fazer sempre as piores escolhas possíveis.
Hoje escolhi sair meia hora mais cedo do escritório, cheguei a casa e deparei-me com Robert, o meu noivo, a dar um tiro ao senhor Cheng, o vizinho do 1º andar dono da loja de conveniência da esquina.
Seria de esperar que houvesse pelo menos uma oportunidade para eu tirar satisfações, mas um revólver apontado directamente à testa de uma pessoa é uma espécie de bloqueio comunicacional.

Antes que a primeira bala me atingisse, dei por mim a fugir desesperadamente pelas escadas deixando os sacos da mercearia espalhados pelo caminho. Na altura lembro-me de pensar que os morangos caríssimos que comprei para sobremesa estavam completamente estragados depois de levarem com as latas de conserva em cima.
Agora estou encostada a um balde de lixo, a vomitar as minhas entranhas, com uns sapatos Louboutin novinhos em folha de salto partido, e umas olheiras de panda que a chuva torrencial me ofereceu, combinando-se com o meu rímel com as minhas lágrimas.

O meu psicanalista sempre me disse que eu tinha a tendência de me sentir atraída por homens de moralidade duvidosa… e verdade seja dita, as experiencias falam por si.
Desde Henry, o empresário musical com quem dormi duas semanas, que me convenceu a ser fiadora num empréstimo para um estúdio de gravações, e que me deixou a pagar sozinha o empréstimo depois de fugir para Mallorca, até Hans, ou alemão que me convidou para viver com ele, quando já tinha famílias constituídas em Hamburgo e em Viena, todos os homens da minha vida demonstraram a minha falta de capacidade de escolha.
Quis ligar a alguém, mas reparei consternada que não tinha comigo o telemóvel.

Os transeuntes olhavam para mim como se tivesse fugido de uma instituição mental, o que tendo em conta a minha aparência catastrófica não era totalmente condenável.
Olhando para o relógio apercebi-me que eram nove e meia da noite, não podia obviamente voltar para casa e fingir que nada tinha acontecido, e ir À polícia não era uma opção viável… tendo em conta que Robert trabalha na polícia. Usando o casaco como protecção – inútil – contra a chuva torrencial vasculhei a mala em busca das chaves do carro.

Amaldiçoei-me por me lembrar que as tinha no saco, junto aos morangos. No meio de maquilhagem, lenços, um snikers comido até meio, uma agenda, um carregador de telemóvel (que me deu vontade de chorar, tal era a sua inutilidade) encontrei um pequeno cartão rosa com letras douradas.
O número de Miranda.
Dirigi-me à cabine telefónica e pedi para fazer uma chamada a pagar no remetente.
-Diga que fala Alice Quarry.
E enquanto ouvia o sinal de espera do telefone rezava para que Miranda não tivesse mudado de telefone desde quando me deu aquele cartão.

Este texto foi escrito aqui há uns tempos e era para ter dado origem a qualquer coisa mais, mas nunca mais me lembrei de lhe pegar até ter visto o tema deste mês da fábrica de letras: "fugir".
Acham que devia continuar a história?
Como reagiriam numa situação do género?
Do que fogem as pessoas hoje em dia?
Toca a comentar, ler, subscrever e gostar no facebook, ah e pelo caminho, respondam à sondagem que vou colocar aqui acima.

[A ouvir: Love gets me everytime - Shania Twain]
[Humor: Cansado]

terça-feira, julho 26, 2011

Pretérito mais que imperfeito



Na escola ninguém nos ensina estas coisas. 
Ensinam-nos a ler e a escrever. A fazer contas. A desenhar. A falar línguas e a ter noções básicas de química, mas não nos preparam para lidar com o correr do tempo.
Não estamos preparados para ver o tempo fugir-nos.
E as duas opções mais comuns são olhar em frente, ou olhar para trás.
Eu já tomei ambas.
Podemos escolher agarrar-nos àqueles momentos bons que ainda não estamos prontos para esquecer. Prendermo-nos a memórias, boas e más. Construir um templo saudosista de pessoas que já cá não estão, de coisas que já passaram e que nos marcaram.
Mas a dada altura acordamos e entendemos que viver de memórias é como viver a soro. Não morremos, mas andamos sempre sequiosos de qualquer coisa. Porque as memórias são isso mesmo.
Memórias.
Por outro lado, podemos olhar para o futuro. Ver caras novas nas nuvens, traçar caminhos na vidraça da janela e ansiar pelo que ai vem. Podemos convencer-nos que vai ser algo espantoso que nos vai arrebatar, que nos vai tirar os pés do chão. Podemos ansiar por uma vida melhor, e fazer tudo para lá chegar.
Planificar, esperar, antecipar.
Mas também veremos que por mais que o futuro seja promissor, o futuro ainda está longe. E se seguimos esta linha de pensamento, quando alcançarmos esse futuro que ansiámos tanto tempo, quando ele chega, já estamos à espera do próximo futuro, e nem aproveitamos este.
Devia acabar com uma iluminada conclusão, uma explicação da escolha certa… mas eu não sei a escolha certa. Não sei a fórmula indicada para fazer o tempo render. Para o parar quando quero, para o apressar a passar ou para lidar com o que aí vem.
Ninguém me ensinou.
E a vida é assim mesmo, vivemos dos agoras que ontem eram amanhãs e não queremos pensar que eles amanhã serão ontens.
E o grande problema está em saber em que pretérito viver.

Nota: Vá, como eu tenho uma prima que lê o blog e que hoje faz anos, dedico-lhe este texto, e mando-lhe um beijinho de parabéns.

E vocês?
São pessoas que vivem com os olhos no passado, no presente ou no futuro? Eu vivo demasiado no futuro. Penso mais no que vai acontecer do que no que está a acontecer de momento.
São muito nostálgicos, ou não ligam muito a essas coisas?
Vá, toca a comentar, ler e subscrever. Eu esta semana ainda, vou tentar responder aos comentários em atraso. Feliz dia dos avós e essa coisa toda.

[A ouvir: Like it or Leave it - Aly & AJ]
[Humor: Calorento]

terça-feira, julho 12, 2011

Faz de Conta






Nos dias em que a energia me foge completamente, dou por mim a brincar ao faz de conta.
Não é um faz de conta com quaisquer ambições de realidade, é um faz de conta divagador.
Gostava de ser alpinista, e escalar o Evereste.
De ser um empresário de renome, ter um prédio com o meu nome e decidir quem é que despedia enquanto bebia o meu capuccino.
De ser um cantor fenomenal, e ter uma voz de fazer chorar as pedras da calçada.
De ser um ladrão de bancos, e viver uma vida luxuosa com o dinheiro dos outros.
De ser um vinicultor, com uma adega fenomenal, sempre com desculpa para se enfrascar em vinho.
De ser um activista dos direitos da natureza. comer soja e acorrentar-me a uma escavadora, enquanto gritava "Salvem a amazónia" ou assim.
De ser um espião, e ter daquelas canetas com laser, e intercomunicadores todos XPTO.
De ser um vampiro, e viver para sempre, nem que fosse à noite.
De ser actor, e ser conhecido na rua pelas minhas performances - não pela minha vida pessoal atribulada.
E desejo ser essas coisas todas, mesmo sabendo que não as quero na realidade .
Gosto de ter todas as oportunidades à vista, e de as escolher TODAS de uma assentada. sem medo de errar a escolha, porque no mundo da imaginação, não há hipóteses erradas.
Gosto de brincar ao faz de conta.
Digam-me que eu sou velho demais para isso, que isso é para as crianças pequenas.
Não me lembro de ter assinado nenhum contrato de data limite de uso da imaginação ou assim.
Sei que no fim de contas, o faz de conta é isso mesmo.
E eu vou continuar a ser eu. e acho que nem quereria outra coisa... faz de conta.

O que é que vocês gostariam de ser por uma hora?
Alguma coisa das acima, ou alguma coisa diferente?
Um Super herói? Uma jogadora de póker profissional?
Vá, toca a comentar,soltem as rédeas à imaginação.
[A ouvir: Skinny Genes - Eliza Dolittle]
[Humor: Sonhador]

sábado, julho 09, 2011

O mundo não pára

EDIT: Esqueci-me de dizer que isto é uma história ficcional. Qualquer semelhança com realidades é pura coincidência. não se preocupem comigo, não se passa nada de mal na minha saúde (que eu saiba)

Parece-me estranho, tudo está exactamente igual.
Uma palavra de seis letras, que dum sopro virou do avesso toda a minha vida.
Não consigo estar na cama. Olho para o relógio despertador e vejo as horas. Seis da manhã. Uma manhã ironicamente luminosa, um ar abafado e sufocante que acentua o cheiro adocicado a especiarias proveniente da taça de pout-porri na cómoda. Mais uma das experiências de Alice, desta vez é aromaterapia. Diz que dá um sono mais descansado, mas acho que precisava de uma dose dez vezes maior para ter qualquer tipo de sono agora.
Acendo um cigarro meio às escondidas e vou para a janela. Alice ainda dorme seminua na cama, os cabelos loiros num alvoroço despreocupado.
Cancro.
“Desculpe?”, foi a única palavra que consegui dizer, num falsete mal dominado, enquanto o médico de aspecto pachorrento e descontraído estudava a minha reacção.
“Deve haver algum engano, só tenho andado com dores de estômago Sr. Doutor. Essas análises devem ter vindo trocadas”, argumentei com esperança de que tudo não passasse de um terrível equívoco.
Mas não houve equívoco nenhum.
Afinal não acontece só aos outros.
Já vou no terceiro cigarro. É irónico, Alice sempre implicou com este vício. “Isso ainda te vai matar” diz sempre que me vê com um cigarro na boca, em tom autoritário. Acabo sempre por apagar o cigarro e dar-lhe um beijo, mesmo sabendo que ela vai reclamar com o sabor a fumo.
Se ela soubesse…
Mãos suaves envolvem-me a cintura, e sinto a sua bochecha de encontro ao meu ombro. O cheiro da sua pele parece acalmar a minha angústia momentaneamente.
“Isso ainda te vai matar” reclama em tom brincalhão, tirando-me de seguida o cigarro da mão, e apagando-o no cinzeiro da sala.
Sorri-me envolta no roupão púrpura que lhe ofereci no nosso aniversário. Destaca-lhe os olhos dourados e a pele sardenta das coxas.
“Tenho fome, vou fazer torradas. Queres?” Pergunta com a sua voz musical.
“Sim, claro, estou cheio de fome” minto. A última coisa que quero agora é ter de comer qualquer coisa… mas não a quero deixar perceber isso.
Nunca tinha suado frio. Pelo menos não daquela maneira. Depois de uma semana de análises, o médico diz-me que estou em estágio 3. Nem sabia que haviam estágios. Dá-me panfletos sobre quimio e rádio terapia, que leio e deito no caixote do lixo da clínica. Diz-me que devo começar o tratamento o mais rápido possível, que há uma boa probabilidade de me curar.
No caminho para casa ensaiei o discurso.
Decorei praticamente todo o bendito panfleto sobre a quimioterapia. Ia sorrir e dizer a Alice que o cancro não é um bicho de sete cabeças. Ia fingir-me confiante e dizer que ia tudo acabar rapidamente, para não a assustar mais.
“Estou grávida” disse enquanto me abraçava eufórica.
Beijei-a e gritei de felicidade. Toda a preocupação evaporou-se naquele momento. Só existíamos nós os dois… bem nós os três. Quando adormeceu nos meus braços, radiante, resolvi que não lhe ia contar nada.
Não quero que sofra por antecipação.
E enquanto olho para ela a barrar as torradas com geleia de pêssego, como sabe que prefiro, peço a todas as divindades que conheço para que não ma tirem.
Cancro.
A minha batalha.
Cancro.
O meu segredo.

Hoje vi no facebook que havia um concurso de textos aqui
então resolvi participar.  quando tiver o link da participação partilho aqui, e vocês carregam no texto para votarem.
Como usei o tema "segredos", fica também como participação deste mês na fábrica de letras.
Votem saxavor, que eu nunca costumo pedir estas coisas, e pelo caminho subscrevam e gostem e essas coisas todas.
Bom fim de semana

[A ouvir: Realistic - Soulstice]
[Humor: Inspirado]

quinta-feira, junho 30, 2011

Escape



Estou encadeado.
A luz fere-me, persegue-me, sufoca-me.
Apago uma a uma todas as luzes.
Os interruptores inexistentes clicam de forma sorrateira.
Uma por uma, as luzes vão-se.
Do quarto,
Do hall de entrada,
Da sala…
Do meu cérebro.
Todo eu sou um ser escuro e escorregadio, solto das amarras luminosas que me aprisionam.
Não preciso de companhia.
O abraço sedutor da noite envolve-me como beijos de seda, e é tudo o que preciso para me deixar ir, num clímax de silencioso prazer.
Dispo-me e calcorreio cada divisão, um jogo secreto de escondidas, que jogo comigo mesmo. Já sei todos os meus esconderijos, mas não me encontro em nenhum.
Dispo-me das ideias.
Deixo as preocupações guardadas no armário, trancadas a sete chaves, impedidas de me incomodar.
Não penso.
Proíbo-me de pensar.
Deito-me num chão que sinto tão macio como um colchão de penas e deixo-me morrer.
Não é uma morte figurada e literal.
Uma pequena morte.
Mato o meu velho eu, que algures a um canto chora, com medo do escuro.
Mato-o sem piedade com uma navalha afiada no desprendimento…
Talvez por não perceber porque chora.
Não percebo porque chora do meu refúgio… também devia ser seu.
Apago as luzes e deixo-me ficar.
Lá fora o mundo corre.
As pessoas perseguem objectivos que não me interessam e lutam com problemas que não me incomodam.
Aqui dentro, no escuro, não há problemas… ou se os há, eu não os vejo.
Pelo menos até ter que acender de novo todas as luzes.

se quiserem comentar:
Qual é o vosso escape? 
E a vossa música para esses momentos? (aquela é a minha)
Vá,  partilhai. eu vou curtir a minha terapia noctívaga.

[A ouvir: Goodnight Moon - Shivaree]
[Humor: Cansado (mentalmente)]

quarta-feira, junho 08, 2011

Ganhei o Euromilhões!!!!


Ligo a Tv e vejo os números.
Acho que me estou a sentir mal… não é possível.
Ganhei o Euromilhões!
Confiro meia dúzia de vezes e fico extasiado. É mesmo a sério. Fui o único finalista do 1º prémio.
Tenho que ir levantar quinze milhões de euros que me esperam na tabacaria do costume, onde todas as semanas registo os totolotos do meu pai.

Vou discretamente levantar o prémio e venho para casa com um cheque passado ao remetente. Nunca vi tantos zeros À direita. Até me belisco para ver se é a sério.
Passo o dia em casa a tentar assimilar. É como se estivesse a ver um filme em câmara lenta.
E agora? O que é que eu faço com este dinheiro todo?
Podia ser um hipócrita e dizer que dava metade a instituições de caridade… mas honestamente, não vai acontecer. Não tenho paciência para ir À santa casa dar 1000 euros e ver os superiores ficarem com metade do dinheiro que dizem gastar com as criancinhas.

Ai, já sei, vou antes repartir.
Vou dar um terço a cada um dos meus pais, e eles que se governem cinco milhões não são nada mal.
Pensando bem… tenho cinco milhões de euros. Não preciso de ficar a viver neste apartamento. Posso sempre comprar aquela casinha na baixa. Tem um jardim razoavelmente piqueno – que dá pouco trabalho a manter – e tem uma garagem.
Oh, já que tem garagem, sempre posso comprar um carro. Nem quero saber que seja muito novo, com as minhas capacidades de condução, um carro novo ia sofrer muito às minhas mãos. Só tem que ter muitos airbags.

E agora que penso nisso, não era nada má ideia comprar um par de óculos. Estes já estão a tender para o mortos e estavam uns todos pipis à venda na multiópticas… se bem que com cinco milhões, via se era operado À miopia né? Sempre era rentabilizar o dinheiro.
Ai e depois vou às compras. Até a pipoca mais doce se roi de inveja depois de eu comprar o recheio de metade das lojas de roupa de Portugal, e espetar tudo lá no blog. se bem que eu não ia espetar lá no blog… não tenho paciência para tirar fotos de roupas. Não é mesmo a minha praia.

Hum, já que ia encher o armário, aposto que os móveis da casa que vou comprar devem ser velhos. Vou ao ikea e compro tudo novo. Nem nunca entrei numa loja da ikea. Mas é fino dizer que tenho moveis da ikea né? Ou isso ou móveis victorianos… mas eu não gosto de coisas velhas.
Uh, e claro que ia ter que comprar companhia pra manchinha. Um cocer, ou um dálmata. Depois logo penso no nome, tenho mais em que pensar.
E já agora um gato não era nada mal pensado…. Se bem que depois a casa já parecia um zoo.

Por falar em animalidades, não quero ficar um bisonte, já ia mas é inscrever-me num ginásio… okay, provavelmente não ia lá meter os pés passado uma semana… mas não interessa. Quer se dizer, podia comprar um passe vitalício com 5 milhões de euros. Se não tivesse horror a operações, podia sempre ir de vez em quando a uma clínica de estética e dizer que é tudo efeito da ginástica.
Uh, já agora, vou ter uma alimentação biológica. Mando criar na quinta tudo o que comer. Sem adições nem nada. Se me der na veneta até fico vegan. Se bem que não tenho alma de coelho para só comer verduras. Mas isso agora não interessa nada. Talvez até consiga cultivar melões com a minha assinatura. Se já há meloas da hello kitty porque não melões do Ricardo?

Ah, já sei, também vou compar um ipad. É super fashion andar com uma coisa do tamanho dum caderno na mão e fingir que se está a fazer alguma coisa de jeito quando na realidade se está a jogar ao angry birds, ou a ler a revista tv 7 dias em formato digital. Não preciso, mas é chique. E no meio dos 5000000 de euros, nem se reparava (até tenho que conferir os zeros).

Estes pensamentos todos em deveres estão a cansar-me. se calhar fazia  bem em ir passar  umas férias à suíça, sei lá passava um tempinho nos Alpes. Podia ser que encontrasse a tal vaca roxa da milka… e se encontrasse abria  uma fábrica de chocolates só para mim *…. Ahm… nah, talvez não. Mas pronto, é uma ideia a reter.
Ai e por falar em vacas, queria ir À mansão playboy. E de caminho ia à eurodisney,.
E compro prendas caríssimas aos amigos (só para mostrar que “tô podendo”)
E para finalizar levantava 20 mil euros em notas, levava num saquinho, despejava no chão e rebolava-me nu lá em cima…
Vou mas é conferir os números outra vez só para me certi…

-Ricardo? – Recebo uma pancada no ombro – Vai mas é comprar o jornal.

Que é feito do bilhete premiado? 
… e porque é que estou no carro com o meu pai?
… Oh porra, outra vez?
Okay… da próxima vez, jogo mesmo. A sério.

Isto é basicamente o que me acontece semana sim semana não.

E vocês?
O que fariam se ganhassem o euro milhões, ou a lotaria?
Jogam muitas vezes?
Jogam sequer? (eu não)
Vá, toca a comentar, ler subscrever(já são quase 150 seguidores gente, façam-me este gostinho ^^) e gostar no facebook

[A ouvir: Love on top - Beyoncé]
[Humor: sonhador]

quarta-feira, março 16, 2011

Estranhos


Bem, a votação chegou ao fim, como podem ver. 18 votos a favor e 2 contra que eu publique aqui textos e histórias e por aí afora (para todo o caso vai ser transferida para a parte de baixo do blog, para não encher tanto).
Mesmo que fosse ao contrário eu ia postar à mesma, mas ainda bem que querem ler mais coisas destas.
Obrigado a todos os que votaram, quer a favor quer contra.
Para "comemorar" aqui vai um pequeno texto que escrevi enquanto divagava.
Espero que gostem:

As luzes na estrada são pontos brilhantes no meu campo de visão.
Esqueço-me de para onde vou, mas continuo a andar sem direcção, descalço pelo alcatrão frio.
Preso numa liberdade imaginária que nunca passa disso mesmo.
Talvez por não estar verdadeiramente preso, essa liberdade não o seja…
Já não sei o que pensar.
Apanho boleia pondo-me no meio da estrada de braços abertos.
“nunca fales com estranhos” diziam-me as vozes apagadas pelo tempo
Mas não é isso que somos todos?
Um bando de estranhos misturados como uma salada russa gigante?
Não gosto de pensar.
“Um cigarro?”
“Não fumo” penso por uns segundos antes de aceitar vorazmente.
“Para onde vais?”
“Para onde me levares”
Rio-me alto. Mais alto do que queria.
Naquele momento as luzes iluminam as minhas calças de ganga pretas.
Penso que poderia fundir-me com as sombras no chão se estivesse disposto a não me mexer.
Mas não quero definhar em silêncio.
O jipe em que estou sentado cheira a ambientador barato e a tabaco.
Toda aquela mistura exótica de cheiros desperta uma espécie de alerta dentro de mim.
Uma luz que pisca incessantemente a avisar-me de perigo. E o perigo talvez nem seja assim tão mau…
“Acelera”
O barulho do motor a ronronar arrepia-me a espinha e as luzes lá fora fundem-se em riscos intermitentes. “Tu não és daqui” pergunta. Tem uma voz profunda grave mas não demasiado. Reparo que nos seus olhos há uma centelha de… inveja? Não consigo discernir.
Respondo um rápido “nós nunca somos de nenhum sítio verdadeiramente, não é?” e, abrindo a mochila preta gasta pelo sol que trago no colo, tiro uma garrafa de cerveja.
Odeio cerveja. Sempre odiei. Aquele sabor amargo e aquele gás indesejado… mas sempre é mais barata que uma garrafa de vodka… terá que servir.
Ofereço um trago ao estranho. Não me interessa vagamente saber informações sobre ele. Continuemos assim. O rapaz de calças de ganga preta e o homem estranho dos olhos invejosos. Olho para o rádio e vejo que são 3 da manhã.
“Como te chamas?”. Porra. Estragou totalmente o momento. “Geralmente não me costumo chamar”. Sorri. A Amanda ia provavelmente achá-lo um borracho. Faz bem o género dela. Olhos claros, pele bronzeada, sorriso franco e reservado, e ainda por cima fumava. A Amanda adora homens que fumam.
Agora que penso nisso, realmente sinto-me mais sexy com um cigarro na boca. Tem um sabor horrível e quase me desfiz em lágrimas com a força que fiz para não tossir. Não queria fazer figura de urso… agora que penso nisso talvez fosse um bocado tarde para pensar nisso. O fumo ácido que me queimara a garganta saia-me agora pela boca formando pequenos carreiros sinuosos pelo ar até se evaporar.
Reparei na aliança quando ele metia as mudanças. O desconhecido era casado. Jesus, a Amanda ia com ele para a cama num piscar de olhos. “Morreu há dois anos. Num assalto. Nunca fui capaz de tirar a aliança… hábitos velhos demoram a morrer…” sorriu novamente depois de responder à pergunta silenciosa que nem lhe cheguei a fazer.
Já ia na 3ª cerveja e o sabor deixava de me incomodar gradualmente.
Guiou a noite toda, calmo como se tivéssemos combinado que eu me iria por no meio da estrada com uma mochila às costas, e que ele me daria boleia por tempo indeterminado.
E as luzes da cidade continuavam a passar por nós. E pensei que o conheci melhor do que a toda a gente que passou anos na minha vida… o que nos ligava, aquele elo inquebrável que nem toda a gente aprecia… era sermos estranhos.
Afinal, não é isso que somos todos?

Gostaram?

[A ouvir: Rachael Yamagata - Reason Why] -----> muy buena
[Humor: Sonhador]

quinta-feira, março 03, 2011

Perseguir reflexos não resulta em nada

Cansa procurar o sentido da vida.
O pote de ouro atrás do arco íris perde o apelo quando o arco íris começa a dar curvas e voltas.
Cansa porque não há direcções a seguir,
Cansa porque estamos sozinhos na busca do nosso próprio sentido.
Depender dos outros tira-nos esse sentido, descobrimos isso quando os outros não estão lá.
E cansa Porque as perguntas que fazemos não têm resposta.
Os porquês que largamos ao vento voltam para trás, ampliados pela falta de resposta.
Ele muda e transfigura-se consoante a sua vontade, camufla-se de nós, 
e confunde-nos com pistas falsas,
Numa altura da vida está em nós. 
depois passa para os outros,
Depois é o que esses outros pensam de nós, e o que nós pensamos dos outros.
Depois é o que nós pensamos de nós...
E quando damos por ela voltámos ao inicio com milhares de perguntas sem resposta, e sem rumo para uma busca sem fim 
E eu cansei-me de o procurar.
Vou parar de procurar... pelo menos hoje.
Por mais que odeie admiti-lo, deixar-me estar, observar as coisas a acontecer é muito mais prático... 
e verdade seja dita, sempre fui um excelente observador.
Talvez sem intervir nas coisas, descubra aquilo que procuro, 
ou pelo menos descubra aquilo que procuro procurar.
_______________________________________________________
Dia sem baterias... Hoje estou num.

Vou vegetar para o sofá, visto que a música me está a irritar, não me apetece ler e não me apetece falar com ninguém.
E vocês? o que fizeram da última vez que tiveram um?
Costumam acordar ou ficar muitas vezes assim?
Vá, comentem, leiam, subscrevam e gostem no facebook.

[A ouvir: Chasing Rainbows - Freddy McQuinn]
[Humor: Esgotado]

quarta-feira, março 02, 2011

Morte nos subúrbios

Aviso: texto com conteúdo possivelmente chocante/violento, não aconselhável a pessoa facilmente impressionáveis.


Nos filmes fazem tudo isto parecer mais simples… matar alguém.
Sempre tive curiosidade em saber como seria matar alguém - Aquela curiosidade teórica, de quem se questiona como será ganhar um campeonato de cricket sem nunca ter jogado, ou como será fazer pesca subaquática sem nunca ter sequer visto o mar – era uma espécie de desejo adormecido que nunca tive oportunidade de realizar, sabem, com os filhos e tudo…
E agora aqui estou eu… na banheira de minha casa a lavar o sangue de uma pessoa desconhecida enquanto penso onde vou despejar o corpo.
Tudo começou hoje de manhã.
Não acordara com a ideia fixa de matar alguém, pelo amor de Deus, não sou nenhuma psicopata. Sou uma pessoa bastante calma, os meus vizinhos diriam até que sou o protótipo de vizinha perfeita. Não me meto na vida dos outros e eles não se metem na minha. Em 64 anos de existência nunca me correu mal esta estratégia.
Levantei-me para preparar o pequeno-almoço.
Fiz café bem forte, e servi duas chávenas. Enquanto beberricava a minha chávena praticamente transbordante sorri amargamente. Voltei a por a mesa a contar com Henry.
Henry é o meu marido… ou por outra… foi o meu marido. Saiu há 15 anos para ir comprar coentros para o ensopado de Domingo e nunca mais voltou. Trocou-me por uma rameira com metade da minha idade e fugiu para França. Soube quatro dias mais tarde quando fui reconhecer o corpo. Morreram os dois num despiste de trânsito, antes de chegarem ao aeroporto. Lembro-me de ter rido quando soube o que aconteceu. Mas a vida tem destas coisas… e não sou uma vítima por isso.
Despejei o café da chávena extra no lavatório e terminei rapidamente a torrada.
Era Sábado de manhã e a vizinhança estava ainda silenciosa, gosto mais deste silêncio. Viver num bairro familiar dá cabo dos nervos de qualquer um, os pais de hoje em dia não têm pulso nas criancinhas barulhentas. Arrastei-me para o sofá ainda de camisa de dormir e pantufas felpudas, liguei a TV, e no exacto momento em que a apresentadora começava a contar a história dramática de mais algum pobre coitado, a campainha tocou solícita.
-Já vai, Já vai – gritei – São dez para as sete, sinceramente, não têm melhor hora para vir a casa de uma pessoa?
Espreitei pelo olho de boi e deparei-me com uma jovem de fato castanho, distorcida pela lente concava. Abri cautelosamente a porta sem destrancar os 3 trincos de corrente perguntando asperamente de que se tratava.
-Bom dia minha senhora, se me der três minutinhos do seu dia tenho aqui uma proposta de negócio irrecusável.
-Não estou interessada – respondi rapidamente, fechando a porta na cara da jovem.
Senti-me pessimamente. Não queria ter sido mal educada com a rapariga… acabei por me arrepender e a chamar quando ela já descia a rua em direcção à próxima casa da vizinhança, com um passo rápido e seguro.
-Desculpe menina, quer entrar e tomar um café?
Acabei por me desfazer em desculpas e convidei-a a entrar. Com um sorriso condescendente disse-me que não tinha mal. Até nem era a pior situação que lhe tinha acontecido ultimamente. Soube momentos mais tarde que se chamava Susan, que se tinha mudado há pouco tempo de Londres… qualquer coisa relacionada com problemas com os pais, que trabalhava para uma companhia de TV por cabo com óptimos preços… e deixei de prestar atenção a meio da conversa.
“Mais café?” perguntei solícita. Susan anuiu com a cabeça… e enquanto me dirigia a ela com a cafeteira quase cheia e ainda a ferver, as peças do puzzle começaram a encaixar-se.
Sem família ou qualquer tipo de laços… ninguém daria pela sua falta…
E um ódio agonizante apossou-se de mim.
Não foi um ódio direccionado à rapariga sentada À minha frente que brincava com o cabelo arruivado enquanto olhava para uma fotografia velha que tinha numa moldura da cozinha… era um ódio inexplicável a toda aquela independência que nunca tive, sempre dependi do traste do Henry… e acabei sozinha nos subúrbios rodeada de casalinhos apaixonados e famílias felizes.
Dou graças a Deus de os vizinhos não terem ouvido os gritos de agonia de Susan, quando lhe despejei a cafeteira cheia directamente na cabeça.
Pensava que iria ficar imediatamente inconsciente, mas não… gritou e arregalou os olhos e acabou por me tentar atingir com a caneca que lhe dei.
Por dois segundos duvidei da minha sanidade… mas a sanidade é uma coisa muito relativa, então encolhi os ombros e bati-lhe com o martelo de moer a carne. Nos filmes quando um osso se parte, faz sempre um barulho estranho, como se estivéssemos a partir esparguete cru dentro de um saco de carne picada… mas não é nada assim. Parti-lhe um braço quando me tentava sufocar. Não pude deixar de reparar que tinha as unhas bem arranjadas… e afiadas.
Não me sentia realizada com todo este trabalho. Sempre idealizara tudo como num filme. Um tiro e a pessoa cai no chão inanimada em câmara lenta.
Ninguém me falou nos gritos e na patética tentativa de sobrevivência.
Enquanto Susan se agarrava ao braço em posição fetal no chão, peguei numa caçarola e atingi-a violentamente na cabeça. no exacto momento em que levantei a mão, aqueles olhos cinzentos claros, olharam para mim suplicantes, e balbuciou “porquê?”.
Não lhe cheguei a responder.
Desmaiou enquanto um pequeno fio de sangue lhe escorria da testa, provavelmente fracturada com o impacto.
Antes que Susan reanimasse, abri a gaveta dos talheres e espetei-lhe no coração uma faca de trinchar o peru.
Pensei que seria fácil. Como espetar uma agulha numa almofada… mas não. Um barulho de carne a ser rasgada ecoou durante minutos na minha cabeça enquanto fazia força para que a faca penetrasse completamente, e assim vi a vida de Susan fugir-lhe.
Olhei para a minha camisa de dormir. Arruinada. Pelos vistos o homicídio é uma boa desculpa para se ir às compras.
Sentei-me na cadeira agora manchada e o cheiro começou a preencher a sala.
Sangue.
Aquele cheiro férreo que fica quando fazemos um corte multiplicava-se por 100, por 1000, e empapava a minha carpete, as minhas pantufas… tive a sensação de que até o meu cabelo cheirava a sangue. Não sei como é que nos filmes as pessoas não ficam enojadas com este cheiro.
Olhei em volta e apercebi-me de que a minha cozinha parecia um cenário de filme de terror barato, acho que foi o que mais me custou em todo o processo. Pensar que tinha que limpar tudo depois.
“Fica para mais tarde” pensei.
Entrei na banheira e tomei um banho de imersão. Acho que fiquei lá por pelo menos 3 horas. A água tomava uma tonalidade rosada enquanto eu esperava que o cheiro desaparecesse do meu corpo.
E a minha história poderia acabar como num filme de acção, em que algum vizinho mais atento ouvia um grito às sete da manhã, ou um namorado desconhecido que sabia que Susan estava a trabalhar nesta zona e que juntava os pontos… mas a vida não é um Filme.
Susan acabou morta enterrada no meu jardim das traseiras, por baixo das minhas roseiras.
____________________________________________________________________________
Ai que lindo, até rimou no fim.
Bem, eu optei por abordar o tema da violÊncia por um outro prisma, mais forte e mais cru... não me apeteceu fazer um poema, e não tenham medo, que eu não tenho vontade de matar ninguém. dispenso.

O texto foi feito também com a ideia também de vos deixar algumas perguntas:
Como repararam a personagem principal tem muito uma ideia incutida de violência retirada de filmes...
Acham que os Media (mais concretamente Filmes, Séries e Livros) se viram muito para a violência?
A violência está a ser banalizada?
Alguma coisa a dizer sobre o assunto?
Gostaram do texto?
Vá, a comentar, ler , gostar no facebook e subscrever!

[A ouvir: Moratorium - Alanis Morisette]
[Humor: Zen (estranhamente)]

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Alucinação



Abri os olhos.
Tudo era vidro.
Eu era vidro claro e cristalino, numa prateleira exposto como um troféu.
E paralisado esperei que a minha virtude desaparecesse atacada pelo tempo.
E quando o vidro de que era feito se tornou baço e manchado, a mão que me colocara na prateleira deitou-me fora.
E flutuei.
Flutuei no meio de chumbo leve como uma pluma.
E ri.
E chorei.
E entreguei-me a uma falta de nexo que pouco me importou.
E agredi pessoas que não estavam lá, com as minhas palavras, que queimavam ao sair.
E sangrei, de ódio.
OH O ÓDIO.
E o amor afagou-me a cabeça vestindo trajos fúnebres enquanto me acalmava.
E drogou-me.
E as espirais sufocantes feitas de algodão e ácido queimavam-me os olhos lacrimejantes.
Quanto mais evitava chorar, maior era o fluxo.
Até que a tinta começou a escorrer dos meus olhos, azul, vermelha, roxa, amarela, laranja, e negra.
E todo aquele turbilhão de cores engoliu-me automaticamente, naquele momento que eu nada era.
Passei o outro lado do espelho e gritei “NÃO HÁ UM COELHO BRANCO”
E o espelho quebrou-se em estilhaços, como que gozando de mim.
E de cada estilhaço saiu um eu.
Escolhi uma silhueta e ataquei.
Sorri quando o apunhalei com um estilhaço dos meus sonhos.
Sorri por sentir a sua dor prazenteira e por me aperceber que ele era eu, e que era o meu sangue que derramava com as armas do destino.
E a sala encheu-se de todos os meus eus, no tecto, no chão e em cada partícula de ar que respirava, rindo em uníssono, uma gargalhada azeda e jocosa.
E senti-me vivo ao morrer.

E ao morrer percebi que já não estava louco, porque a loucura de que todos padecemos, só é loucura até ser entendida.

[A ouvir: Music- September]
[Humor: Louco]

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Das Rotinas

Viver num loop infernal chamado simpaticamente de "rotina" queima-me por dentro.
Inspirar todos os dias pequenos goles de mesmice é feito de maneira quase automática 
E a dada altura deixamos de pensar nas possibilidades para além das que fazemos de costume.
A rotina mata-nos lentamente, e nós estamos bem com isso.

Eu sei que há quem ache que a rotina é uma coisa fundamental, e que o ser humano se apega a ela por ter uma noção de estabilidade maior quando sabe como se vai processar o dia.
E em parte eu até entendo o ponto de vista, faz sentido, não ter que me preocupar com todos os detalhes do dia a dia por já saber que vou proceder de forma A, B ou C assim de maneira intuitiva. Não vou acordar de manhã e pensar o que vou cozinhar para o pequeno almoço (ok no meu caso não penso mesmo porque não tomo pequeno almoço) porque já estou habituado a fazer omeletas com fiambre (ok primeiro exemplo que me ocorreu).

Mas isso não funciona comigo.
Não sou pessoa de me acomodar.
Não gosto de estar parado.
E colar-me a uma rotina aborrecida é o mesmo que estar parado.
Aliás, é pior.
Sinto-me uma marioneta presa numas mãos enormes invisíveis e controladoras, que me ofuscam os pensamentos e me pré-programam, como se por muita vontade própria que exerça no meu dia-a-dia, não me vá servir de nada porque sei que não vou sair do lugar.

A rotina está lá, na vida de toda a gente, e manifesta-se sempre da mesma forma, é basicamente como o barulho do transito. Pode fazer um bocado de impressão inicialmente, mas mal nos habituamos a ele deixamos de o ouvir completamente.

O que para muitos é um apoio e uma certa segurança, para mim é no entanto um obstáculo.
Eu entendo perfeitamente que a rotina é necessária e blablabla, mas embora tenha todas essas noções só consigo coexistir com ela se sentir que estou a fazer algo de útil ou preze roso (ou os dois ao mesmo tempo).
Caso contrário é basicamente como se me mostrassem uma paisagem magnífica mas me mantivessem preso num labirinto de vidro.
Vejo tudo, e fico com vontade de explorar todos os recantos dessa tal paisagem, mas acabo por só poder seguir os caminhos que o labirinto me permitir.

E eu ODEIO essa sensação de impotência.

A rotina está lá, e por vezes estorva-nos.
Porque temos o dia planejado para acontecer de determinada forma não temos espaço para os fantásticos imprevistos que podem resultar em qualquer coisa fortuita.

Nunca vos apeteceu ser uma outra pessoa?
Não falo no sentido figurativo, em mudanças de atitude e de forma de encarar a vida, e de crescimentos e blablabla, que resultam em encararmo-nos como pessoas diferentes após essas mudanças.
Falo do sentido literal. De experimentar uma outra vida que não a vossa, nem que por um dia?
Ver o mundo com outros olhos, não lidar com os nossos problemas, ou com a falta dele.
Não lidar com a nossa vida, pelo menos durante um curto período de tempo.
Eu já tive essa vontade umas quantas vezes.
Gostava de acordar um dia e ser piloto de aviões, por exemplo.
E depois ir-me deitar e voltar ao dia a dia costumeiro.
Só para ter a noção de como era. Só para não ver sempre as mesmas caras, ter as mesmas conversas, ler as mesmas coisas, ver os mesmos programas, e repetir isto tudo dia após dia após dia.

Ou então acordar um dia como outra pessoa qualquer e mandar toda a gente com quem não engraço à merda. Vá riam-se, mas obviamente que não vou mandar toda a gente que não caiu nas minhas graças à merda num dia normal.

Posso contemplar uma ou duas alminhas sortudas com essa glamouroso deleite, mas se fosse a toda a gente ficava logo sem voz quando chegasse a um quarto da lista. Se fosse outra pessoa qualquer não havia problemas, pelo menos pra mim.

Não estou com isto a entrar numa onda de “Ai odeio a minha vida e vou-me queixar disto aqui no blog, qual consultório sentimental”, é mais numa de “Queria que acontecesse alguma coisa de interessante na minha vida” aka “Estou entediado de morte com a minha vida ultimamente”, Ah e juntem a isto um “estou a chocar uma constipação maravilhosa” e têm a situação actual por estas bandas.

E vocês?
Como lidam com a rotina?
E como a quebram?
Gostam de imprevistos ou preferem saber como se vai processar tudo no vosso dia?
Já tinham pensado ser um outro alguém ou só esta mente demente é que pensou nisso?
Se pensaram, que lugar gostavam de ocupar por um dia?
Já abdicaram de muitas coisas em prol das rotinas?

PS: eu era para responder aos comments todos hoje, mas deu-me a preguiçaç. não me odeiem muito xD


[A Ouvir: As Horas-Marjorie Estiano]

[Humor: Bored]

sexta-feira, dezembro 24, 2010

All I want for christmas is...



O natal é amor.
É acordar com aquele pulsar de ansiedade dentro de nós sem explicação aparente.
é família.
É falar com aquelas pessoas com as quais nem sempre podermos falar.
é paz.
É partilha, não só material, sambem de alma, de sentimentos e de afectos.
é preguiça.
É não fazer nada porque não é necessário fazer mais do que aproveitar
é gula.
É comer as filhoses da avó e os sonhos da mãe, as rabanadas do pai e os bolos do tio.
é calma.

mas o Natal só é isso tudo se lhe atribuírem esse significado.

Talvez daí venha o significado da famosa frase "o Natal é quando o Homem quiser"

Desejo um bom natal a todos os leitores que o festejam, e ao que não o festejam, desejo um dia cheio de felicidade e amor. porque se o natal é quando o Homem quiser também o seu significado pode ser celebrado sem se celebrar efectivamente o natal.


A perguntas que vos deixo, neste caso perguntas de quadra são:
O que é que mais desejam este natal? não interessa se é sentimental ou materialmente, expressem-se.
lembram-se de qual foi a prenda que mais vos marcou até hoje?
... e a pior?
Peripécias de natal, algumas?


FELIZ: NATAL/HANNUKAH/RAMADÃO/FESTIVUS/O que quer que seja /DIA

Blog fechado para Natal


[A Ouvir: Badiu Si ... - Mayra Andrade]
[Humor : Cansado] ---------> fazer sonhos rabanadas biscoitos e bolos cansa!

domingo, agosto 01, 2010

Não pensemos demais

A resposta

Pensar Dói
Pensar acalma e adormece o corpo
Penso porque existo
Penso porque não sei existir sem pensar
E por pensar demais abandono o meu corpo, deixo-me flutuar pelas recordações.
Não me lembro do mau nem do bom.
Porque neste mundo nada é verdadeiramente bom ou mau.
Apenas tudo é.
Não consigo odiar ou amar alguma coisa que apenas é,
Por isso limito-me a Lembrar-me apenas das coisas.
Lembro-me do que se passou, e do que está por passar
As lembranças, mais ou menos nítidas trazem consigo perguntas sussurradas
E perco-me numa corrente enorme perguntas.
“Porquê?”
“Quando?”
“Quem?”
O oxigénio perde momentaneamente terreno para as duvidas,
Dúvidas que enchem os meus pulmões e me rebentam de dentro para fora…
E quando menos espero lá está ela…
Finalmente encontro a resposta.
Pode não ser a resposta à pergunta que não fiz,
Mas é uma resposta.

Hoje não me apetecem grandes posts, por isso como post de Domingo levam com um pseudo poeminha leve.
E com este poema abro a porta para algumas perguntas.
Sendo a vida tão curta, não acham que perdemos muito tempo a pensar nas coisas?
Será que termos dúvidas existenciais nos ajuda a alcançar alguma coisa (vamos ser honestos por muito que se pense no sentido da vida, ele não se materializa á nossa frente).
Vocês são mais pessoas de pensar ou de agir? Qual foi a pergunta que mais vos atormentou até hoje? “terei sucesso?” “serei feliz?” “estarei onde pertenço?” partilhem cá com o je(o poema está muito péssimo?)


[a ouvir: -Sia]
[Humor: ZEN
]

segunda-feira, junho 21, 2010

Change

As pessoas mudam...
os tempos mudam...
A vida é um ciclo de mudanças imperceptíveis que nós só percebermos se as virmos acontecer aos outros.
Poderia ser completamente idealista e dizer que a mudança é aquilo que precisamos e que nos faz bem... Mas eu não gosto da mudança.

Okay talvez não deva ser tão extremista, mas acho que deu para perceber...
Nem todas as mudanças são boas...
mudar só porque sim é o mesmo que fingir que se mudou... ou seja mudar sem mudar, com todas as implicações estranhas que isso acarreta...

A mudança é crescimento, e dizem que crescer não é propriamente agradável, mas é necessário...e se por crescer eu deixar de considerar as pessoas mais importantes da minha vida importantes... isso é bom?
Não quero parar no tempo mas também não quero correr o risco de perder o meu "eu" que me levou (quase) 21 anos a construir. gosto de mim assim, mesmo sendo este pedaço de imperfeição com pernas desastrado e com tendências auto-destrutivas (ás vezes).
Chamem me infantil, mas a mudança dá-me MEDO.
Saltar para o desconhecido é bastante bonito na teoria, mas na prática dá sempre aquele friozinho na nuca e aquele amargo de boca.
Claro que precisamos de mudar, claro que não é possível crescer sem mudar, mas a mudança ás vezes dói.

Quero ter a certeza que quando me olho ao espelho reconheço o que vejo, não tendo necessariamente que gostar ou não.
Quero continuar este sentimentalão irremediável que faz dramas de tudo e mais alguma coisa,
Quero continuar a rir com facilidade extrema, continuar a não gostar de hipocrisias e não ser um mestre nessa arte... Gostava mesmo muito de continuar a fazer misturas culinárias provavelmente desaconselháveis do ponto de vista nutricional, de continuar a não saber deixar a esperança de lado quando obviamente não vai sair nada de bom daquela situação em particular... quero ser Naif e sarcástico até morrer, quero ser ácido só porque sim e não me preocupar com o que as pessoas dizem...

Dizem que querer é poder... veremos.

(edit: esqueci-me de bloquear os comments neste, fixed.)

[A ouvir : ... Baby one more time -Britney Spears]---->Sim e então?

[Humor: Sobrecarregado
]

quinta-feira, junho 10, 2010

As luzes da noite cegam-me


Ligo a ignição e sinto o motor rosnar, preguiçoso e contestador. acendo as luzes do carro e faço-me á estrada. Na rádio tocam êxitos esquecidos dos anos 80, aquelas baladas que se prendem ao ouvido e fazem as minhas memórias correr para trás.
Adoro conduzir à noite, os cheiros metamorfoseiam-se ,são diferentes, a terra deita as energias acumuladas para fora e tudo ganha uma certa magia hipnótica.
Começo o percurso mecanicamente e passo por ruas pouco iluminadas sempre seguido pela lua pachorrenta no céu. gosto da sensação de liberdade que isto me dá. os poucos carros na estrada seguem o seu caminho, tais almas penadas a esbarrar com o vento parado.
Dou por mim imensas vezes a perguntar-me onde estou, e para onde vou. Mas não consigo ligar a essa vozinha chata, desligo a consciência e deixo me levar pela estrada. Tenho uma liberdade enorme sobre a minha falta de acção, e não preciso pensar sobre o que quero fazer.
Mesmo com o frio estranho na rua deixo os vidros abertos para poder sentir cada cheiro e cada réstia de ar fresco que invade o compartimento.
Embora esteja sozinho não me sinto só... é difícil explicar, mas acho que a noite tem uma espécie de reacção química em mim, como se me injectasse morfina para a alma e me entorpecesse o raciocínio.
Consigo pensar nos meus problemas e não me preocupar com eles, como se observasse a minha vivência de cima, dum plano superior e imparcial. Gosto de sentir a luz amarela dos candeeiros na pele - nada quente como a do sol - uma luminosidade artificial e fria que não faz o meu coração acelerar nem me dá vontade de fazer algo.
consigo estar horas assim. olhando para as poucas pessoas que passam pelas ruas desertas perdidas nos seus pensamentos e alheias a mim.
Quando reparo , o motor já não trabalha e estou estacionado num parking completamente deserto, rodeado de candeeiros altivos que jorram feixes de luz sobre a pintura gasta do veiculo.
ao longe oiço ondas a embater contra a areia.
Estou na praia.
E acho que nunca me sinto tão bem na praia como de noite. deito me na areia e mesmo tendo frio deixo me estar quieto a olhar para o céu.
E ali me deixo ficar por uns momentos.
Sozinho mas nunca só.

_______________________________________________________________
E aqui está o meu passeio de sonho. aquele passeio que faço pouquissimas vezes mas que adoro fazer. eu sei que por muitas vezes falei da importância que dou aos amigos, mas curiosamente os meus passeios predilectos não envolvem nenhum... e vocês qual é o vosso tipo de passeio predilecto? comentem saxavor



[A ouvir : Big Baloon -Beady Belle]

[Humor: Nostálgico]

domingo, maio 23, 2010

Divagação

Dou por mim a pensar...
Não penso no passado próximo nem nas escolhas que poderia ter feito
Apenas penso em passados que não o meu
em vidas que não vivi por não serem as minhas e se oporem a mim
Penso em sítios onde nunca fui e consigo sentir uma saudade agoniante
Vejo cores apagadas na minha memoria e cheiros que nunca passaram pelas minhas narinas
Divago por uma realidade inventada e deixo que as memórias que não tive me sufoquem.
Passeio por mundos fantásticos e por emoções inexistentes...
e subitamente volto ás minhas memorias.
Áquele relvado húmido naquela noite quente de verão
Nunca me vou esquecer daquela noite
Não consigo lembrar-me porque nunca me esquecerei, mas efectivamente nunca a esqueci.
Um enxame enorme de Pirilampos disfarçados de estrelas passa sobre a minha cabeça e ilumina os teus olhos verdes curiosos e divertidos
Não consigo lembrar-me das palavras que proferes naquele momento...
Não interessam as palavras...
Ainda me lembro do teu cheiro a magnólia e do teu cabelo loiro solto em ondas sobre os teus ombros suaves...
Ainda me lembro do teu sorriso franco.
E com aquela puerilidade de primeiro amor beijámo-nos...
o sabor doce dos teus lábios húmidos e carinhosos choca-me,
o momento prolonga-se por uma ínfima eternidade...
em que te tive nos meus braços palpitante e viva...
E de repente os pirilampos fundem-se numa amálgama de luz
Estou a flutuar sobre uma janela dum prédio azul
Olho em volta mas daquele momento só resta o cheiro a magnólia preso no meu cérebro para sempre.
Deixo-me levar pela brisa das recordações que não recordo
Estou em paz.

[A ouvir : After Love- P Diddy ]
[Humor : Nostálgico] (o panda tirou férias)

domingo, maio 16, 2010

Normal

Tento compreender esse conceito de normalidade
mas por mais que pense não o atinjo.
Cheguei portanto á conclusão que não quero normalidade
Não preciso inserir-me nos conceitos de ninguém para me sentir bem
Não quero mascarar a minha personalidade para não ferir egos alheios
Não quero Essa normalidade que só restringe o que podemos fazer dizer ou pensar
Não quero gostar de castanho só porque toda a gente gosta
Não quero!
Apercebi-me que quem gosta de mim gosta de mim pelas minhas anormalidades
Não quero que gostem de mim por ser só mais um,
Não quero que me tentem standartizar,
Não quero ser mais um,
mais uma variação da mesma mentalidade impressa num corpo diferente,
Mais uma alma perdida na corrente de almas que rumam em direcção a u final comum e ensoso.
Quero cor quando tudo o resto é cinzento e música no meio do silêncio sepulcral
Quero partir barreiras que só eu vejo, por não me prender a elas.
Quero ser um perfeito ANORMAL
e quem não gostar ora… é só olhar pró outro lado…
De certeza que encontram muitos “normais” para apreciar

É verdade, a normalidade irrita-me.
Não sou melhor nem pior que ninguém.
Não sou um mestre de originalidade, nem acho que uma pessoa precise necessariamente de ser diferente para ser feliz, mas irrita-me olhar para todos os lados e ver toda a gente presa aos mesmos padrões, à mesma normalidade chata e cinzentona.
Odeio ver como criticam algo que não se encaixe nos seus conceitos gastos de aceitável ou não.
Vou continuar a gritar quando me apetecer, a falar alto mesmo que isso incomode algumas pessoas, a comer ovos kinder só por causa do brinde.
e acho que isso sabe bem. Não me prender pelo que os outros acham cero ou errado.
E não isto não tem nada a ver com nada que me tenha acontecido, o texto saiu-me , estou de super bom humor.
O que acham que é "normal"? consideram-se normais? Comentem que eu não mordo (pelo menos virtualmente não dá)

[A ouvir : Wild Horses - Natasha Bedingfield]
[Humor: Feliz mas exausto]

sábado, maio 15, 2010

Eu Devia receber 500€ diários só por existir


Ganância (aka Avareza)

Esse som...
Penetra-me pelos ouvidos e entorpece-me os sentidos
Som claro e puro como água nua catarata
faz-me rir e chorar,
Esse som quente e imediato,
lembra-me a tua textura suave e figida, doirada e compenetrante...
apetece-me gritar de prazer cada vez que oiço o teu chocalhar rápido
Oiço esse som, vezes e vezes sem conta... e cada vez me parece novo, brilhante e valioso.
KA-CHING
És MEU, MEU e só MEU!!

Eu sou muito desprendido a nível material.
...Okay eu gosto de ir ás compras e sempre que tenho dinheiro(coisa que gosto, BTW) torro-o...mas não é mesmo uma das minhas prioridades,
Hum... e sim um dos meus hobbies é imaginar que ganhei o euro milhões e decidir como é que ia gastar o prémio (nem imaginam a quantidade de extravagancias mentais é que já fiz... vida de pobre é lixada xD).
mas isso não faz de mim AVARENTO (okay ganancioso talvez um bocadinho... que é a ideia original do pecado capital, que foi mal traduzido para avareza caso não saibam xD) quer dizer... eu partilho tudo com as pessoas... a sério eu irrito-me comigo mesmo porque esta mania de emprestar de tudo lixa-me sempre a mim (ele é dinheiro ou material, ou livros, ou jogos... e acaba sempre alguma coisa mal especialmente porque as pessoas abusadas se aproveitam disso xD).
Quer dizer... mas em minha defesa... que mal tem querer-se coisas boas? tipo gostar de ter muiotas coisas não faz de mim uma péssima pessoa... e se não compram essa podem sempre pensar como eu:
o que é a ganância senão uma forma muito super desenvolvida de ambição? sim aquela coisa que nos fomentam a construir na nossa vida diária, porque "pessoas sem ambição não têm futuro", ou porque "se não ambicionares não te dás valor a ti próprio e consequentemente os outros não te dão valor"
Logo eu sou uma pessoa extremamente ambiciosa! hunf pra vocês que me chamaram ganancioso!!!!
E os bens materiais são super importantes sim(I would totally kill for a Ipod tocuh *.*)! Claaaro que não são mais importantes que os amigos e blablabla, aquelas tretas que vêem em todos os livros de auto ajuda deste planeta (que se formos a ver são uma maneira disfarçada de nos dizerem pra sermos mais avarentos "pense mais em si e nas suas necessidades" "você vem primeiro" e por ai adiante... mas isso é uma outra historia)mas são importantes.
Se tens dinheiro, gasta. nem precisa de ser contigo. poupar demais faz mal.
... e depois de lerem este meu pensamento profundo percebem porque é que eu estou sempre teso (não no sentido malicioso da palavra).
E com isto findo os meus posts sobre os 7 pecados... que por acaso gostei bastante de fazer. Gostaram da ideia? e ainda dentro do post... são avarentos? gananciosos? O que acham dessas... qualidades? comeeeeeenteeeem

[A ouvir : Aganju - Bebel Gilberto]
[Humor: Expectante]
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