quinta-feira, outubro 11, 2012

Ricardo's Time Machine XVIII

A minha infância foi uma época feliz em que não havia tanta preocupação com a qualidade dos programas, audiências, ou luta pelo prime time, porque , let's face it, o público engolia tudo o que aparecia na TV, sem grande critério.
A minha televisão da sala vomitava luzes cor, música barulho e animação dia e noite.
Algures pelo meio, haviam os programas mais deprimentes, que eu, como boa esponja que era, assistia tão ou mais avidamente.

Entre todos eles - e nem foram assim tão poucos - o que melhor me lembro é do:

Ponto de encontro

Estreado na SIC em 1994/5, foi um grande sucesso em terras Lusas, e passou durante 5 anos (aproximadamente).
O conceito do programa era simples: reunir familiares e amigos afastados pelos mais diversos motivos.
Henrique Mendes - O eterno avô da série Médico de Família (se quiserem pode clicar no link e ler o post, e se gostarem, deixem um like). - fazia as vezes de apresentador e comentador das tristes histórias de vida que passaram em cascata pelos nossos ecrãs.

Digo-vos, este programa ganharia facilmente o globo de ouro na categoria "programa que deixou mais donas de casa com a lagriminha no canto do olho, logo a seguir ao telejornal"
Os "convidados" - à falta de melhor termo - vinham ao palco, passava em pano de fundo um slideshow de fotos geralmente em péssimo estado e alguma música deprimente, enquanto o apresentador contava toda a história que ouvíamos de seguida da boca do próprio convidado. e as histórias eram as mais variadas:
Era a Carla Soraia, cujo pai saiu de casa apenas com uma fotografia da piquena no bolso, o Armândio Fonseca, que perdeu contacto com o seu camarada de guerra, ou a Almerinda que tinha familiares em Angola que nunca chegou a conhecer.

90% das vezes, os casos acabavam com uma cortina a abrir-se, os familiares a encontrarem-se em abraços emocionados, e toda uma pequena plateia a bater palmas.
Havia os 10% restantes, em que o familiar já tinha morrido, ou não tinha sido encontrado, e acabava tudo a chorar na mesma - honestamente, acho que eles recebiam todos por litros de lágrimas choradas.
Independentemente do desfecho de cada caso, os concorrentes levavam sempre como oferta, uma piramide de cristal, com a gravação "ponto de encontro" e mais qualquer coisa que nunca cheguei a saber o que era porque não havia HD TV na altura, mas que reforçava toda a aura parola do dito programa.

Hoje em dia só o conceito de um programa do género é completamente ridículo, com a existência da internet, do facebook, e de milhares de sites criados com o intuito de encontrar pessoas com as quais se perdeu contacto... mas hey, eram os 90's! Acredito sinceramente que este programa deve ter feito a diferença na vida de muita gente... mesmo que tenha sido tudo regado a lágrimas, baba e ranho, música de piano e reencontros emocionados num palco com aproximadamente 2 metros quadrados.


Digam-me:
Viam este programa? (Ponho a mão no fogo a apostar que sim)
Ainda se lembram de alguma cena em particular?
Conhecem alguém que tenha ido ao programa? (that would be fun)
Que outras coisas adoravelmente deprimentes da vossa infância gostariam de ver aqui na time machine?
Já sabem, leiam, comentem, sigam, subscrevam, e se gostarem do post, façam um like.
Ah, e já agora, não se esqueçam de votar no inquérito ao lado, está quase a terminar!

quarta-feira, outubro 10, 2012

Ainda mais momentos socialmente constrangedores

Sabem aquele momento?
Aquele momento em que pensam "isto está mesmo a acontecer?"

Chamo a isso momento socialmente constrangedor, aquele momento digno de uma qualquer comédia rasca, em que não se sabe como reagir.
Sabem, aquele momento...:
  • ...Em que alguém está a falar contigo, começa a tocar o telefone... - ... mas a pessoa continua a falar e ignora o telefone que toca meia hora seguida. Serei só eu a querer bradar aos céus "ATENDE A MERDA DO TELEMÓVEL! I CAN'T FOCUS!" ?
  • ...Em que apanhas uma pessoa a mentir... - ... mas não podes dizer nada, ou porque é segredo, ou tens rabo preso, whatever. Eu geralmente engasgo completamente nessas ocasiões.
  • ... Em que compras uma prenda super cara a alguém... - e recebes em troca alguma coisa saída diretamente da loja dos chineses, ou da loja de conveniência da bomba de gasolina. Está a chegar o natal... trust me, vai acontecer. 
  • ... Em que estreias uma peça de roupa ... - vais sair e esbarras com pelo menos 5 pessoas exatamente com a mesma coisa vestida. tecnicamente essa não é a parte constrangedora. a parte constrangedora é que em vez de ignorar, as pessoas ficam todas a olhar fixamente pra nós.
  • ...Em que levas com um "Ainda não viste esse filme?"... - ... Como se tivesses atropelado a tua avó e largado o corpo na berma da autoestrada. Oh maniazinha irritante. 
  • ...Em que estás a falar mal de alguém.... - ... e essa pessoa surge atrás de ti, vinda do escafundó dos infernos, e depois há aquele momento de silêncio em que ninguém diz nada.
  • ...Em que te estão a cantar os parabéns... - ... Não há quem não se sinta ligeiramente desconfortável quando lhe cantam os parabéns. uma pessoa nunca sabe se há de se calar, de bater palmas, de cantar em conjunto ou se fica simplesmente a olhar e a contar os minutos para aquilo acabar e soprar as velas.
  • ...Em que te apercebes que a pessoa a quem te andas a atirar ... - ... é comprometida(o). pelo menos para mim isso é um grande turn off.
  •  ...Em que perdes peso ... - ... e te perguntam se estás mais gordo/a. isto não me pode acontecer só a mim, pois não?
  • ...Em que alguém acena na rua... - ... mas não é para ti, e só te apercebes quando já fizeste adeus de volta. há sempre a técnica de "estava-me simplesmente a espreguiçar"
  • ...Em que te apercebes que as pessoas na rua não olham para ti porque estás bonito/a... - ... mas sim porque tens a braguilha aberta. 
E podia ficar aqui a noite toda a falar de momentos mágicos que me fazem sentir especial... mas deixo que vocês me digam, que outros momentos socialmente constrangedores vos aconteceram recentemente?

Algum dos acima?
Até amanhã alcachofras!

domingo, outubro 07, 2012

Perguntas De Fim De Semana LXII

Que coisas é que vos tiram do sério na blogosfera?
E na internet no geral?
Porque é que acham que as pessoas mentem mais no reino encantado da internet?
Vá, agora vou rebolar pros lençóis e vegetar até amanhã, provavelmente.

quinta-feira, outubro 04, 2012

Ricardo's Time Machine XVII

Quando eu era pequenito a minha mãe começou a trabalhar numa papelaria perto de casa, e ficou por lá uns bons anos.
Eventualmente tornei-me a mascote da loja, e a patroa lá me oferecia algumas saquetas de cromos – que eu durante quase 12 anos de vida não conseguia colar diretos nos espaços respetivos da caderneta – ora me oferecia uma ou outra revista.
Ora parecendo que não, para uma criança nos 90’s - tendo em conta a quantidade de 7 cromos, cartas, revistas e coleções por fascículos que passaram pelas bancas - aquilo era o paraíso.
Pelo meio das dezenas de coleções que comecei a fazer e não acabei – levante a mão quem não fez isso – houve uma que ocupou um lugarzinho especial na minha caixinha de memórias… e numa gaveta do meu quarto.

Artista Júnior

Foi uma série de revistas que teve 52 fascículos, que introduzia os mais novos no mundo das artes, com a ajuda da cobra Cedric e da rata Marília (isto soou mal, mas é verdade). Ensinava a desenhar, técnicas de pintura, trabalhos manuais, e, para além de abordagem aos diversos estilos de pintura, em cada edição havia uma pequena biografia de algum artista plástico famoso, começando pelos mais conhecidos como o Da Vinci ou Michelangelo, e indo a uns que eu – enquanto estudante de ciências – nunca mais cheguei a ouvir falar sem ser ali, como … sei lá, Filippo Lippi, ou Piero della francesca (viva a cultura geral though).
De oferta com cada revista, vinha um artigo da giotto, desde aguarelas a guaches, passando por lápis de cera e canetas de sopro .

Dessas coisas todas ainda tenho alguns sobreviventes algures numa caixa de material de desenho. (estou com a sensação que começam a pensar que eu sou algum hoarder.)
Passei horas infindas a aprender a desenhar, fazer sombreados e conjugar cores.
E embora a internet cá em casa não existisse, não me fez falta nenhuma, era darem-me uma revistinha destas para as mãos e eu entrava lá no meu mundo em menos de 5 segundos.
De todos os 52 fascículos comprei 50, porque 2 deles esgotaram.
Corri tudo em busca deles, e ainda esperei que voltassem a editar a coleção, mas bem, já se passaram 12 anos desde que foi publicada, acho que é seguro concluir que já não o vão fazer.

Muitas das minhas férias de verão foram passadas de volta destas revistas.
Cada uma das revistas trazia uma ilusão óptica na última página – ou melhor, na contracapa – e lá ficávamos eu a minha prima e a minha avó sentados no chão da sala,
horas e horas a tentar adivinhar o que aparecia em cada imagem.
Olhem, até vos deixo aqui um exemplar (tive que digitalizar, que não encontrei uma única imagem disto na internet).
Vamos ver se conseguem descobrir a imagem escondida.

Cliquem para aumentar

E vocês?
Chegaram a ver esta coleção?
e a fazê-la?
Que outras coleções fizeram na vossa infância?
Conseguem ver alguma coisa aqui na última imagem?
O que querem ver falado na próxima time machine?
Vá, deixem aqui os vossos comentários, sugestões e já agora, o palpite da ilusão óptica! (E não se esqueçam do like se gostarem!)

Estava eu a ouvir a música nova da Aurea...

E não consegui evitar ficar com uma certa sensação de familiaridade passados 20 segundos.
Acabei por chegar à conclusão que o instrumental desta música:

Só me lembra esta música:

Mas isto se calhar sou eu, que sou um grande má língua.

O que acham vocês queridas alcachofras?
E já que falamos em Aurea, o que acham dos artistas que como ela fazem grande furor no início na carreira, mas que eventualmente acabam por ser esquecidos? (claro, não estou a agoirar a Aurea, não me processe, sim?)
E agora vou mas é dormir, que amanhã tenho uma maravilhosa folga a gozar, bem mereço.

quarta-feira, outubro 03, 2012

Ninguém quer ser gordo*

Não é uma afirmação simpática, ou bonita, mas é a mais transparente das verdades.
Ao contrário da magreza, ou dos músculos, que nem toda a gente quer alcançar (pasmem-se, nem toda a gente quer ser magra, tonificada ou musculada) não conheci, até à presente data, uma única pessoa que de sã consciência me tenha dito “eu cá quero é ficar gordo(a)”.

Não acho que tenha tanto a ver com os benditos padrões de beleza, como se quer fazer parecer pelos feios deste mundo.
Porque ser gordo não quer dizer ser feio.
Não, o grande problema de ser gordo é, acima de tudo, não ser prático.
Afinal, vivemos num mundo formatado para pessoas médias, e ter um corpo que não caiba num carro, num avião ou num par de calças é uma coisa que obviamente ninguém quer.

Não estou a dizer que os gordos são aberrações da natureza, que os odeio ou que tenho qualquer tipo de repulsa por eles .
Não estou a dizer que por ser magro sou melhor que qualquer gordo, Isto não é uma das teorias MargaridóRebeloPintónicas, de que as gordas têm sorte porque podem dar peidos e mijar em pé sem se preocuparem, e que a boazona magra é que sofre.
Não estou a dizer que os gordos não são gente, e por serem gordos são cidadãos de segunda.
Estou a dizer que Ninguém quer ser gordo.

E ninguém quer ser gordo porque um gordo é "cheiinho", "rechonchudo", "forte" - aparentemente ganhar 20 quilos concede a um indivíduo mais força - ,you name it, tudo menos a palavra começada por “g”, que continua conotada como um grande insulto (embora sempre se refiram a magros como magros.)
Porque em pleno século XXI, o gordo é tabu.
Um tabu que se trata de 3 formas diferentes.
Ou se ridiculariza - idiota do gordo - , Ou se beatifica - coitadinho do gordo -, Ou se ignora - gordo? não, forte.

E há toda uma cambada de cínicos pelo mundo fora a tentar disfarçar este facto.
Cínicos que do alto da sua magreza tomam as dores dos gordos, como se percebessem alguma coisa do que eles passam – É a mesma coisa que eu agora debitar sobre os sofrimentos das grávidas, get the point?
Cínicos que dentro das suas skinny jeans debitam sobre como “a beleza existem em todos os tamanhos”, para cinco minutos depois debitarem no facebook sobre o pneu da celebridade de eleição.
Cínicos que chamam a esta sociedade preconceituosa e superficial mas que nunca se sentiriam atraídas por uma pessoa que vestisse mais que o XL.

E com isto tudo não estou a pedir aos gordos deste país para se inscreverem no ginásio ou se cobrirem com uma burka, se jogarem da ponte ou desenvolverem um distúrbio alimentar.
Não estou a dizer também aos magros deste país que se sintam bem só porque são magros.
Só peço aos cínicos que se parem com as doses maciças de politicamente correto e aceitem o facto de que ninguém quer ser gordo.


*Claro, que ser gordo é uma coisa muito subjectiva, interpretem como quiserem alcachofras.

segunda-feira, outubro 01, 2012

Resumindo o meu dia:
Se não conhecem esta série, deviam dar um olhinho, really funny.
Summer Heights High
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