Já vi relatos de familiares de pessoas com as mais variadas doenças, mas nunca ninguém se deu ao trabalho de contar os dramas de lidar com a hipocondria, o que é um bocadinho falta de consideração para nós, os que temos que nos desenmerdar a lidar com a situação sozinhos e abandonados.
A hipocondria existe em maior abundância do que se possa pensar, e afecta milhares de pessoas pelo mundo fora.
É uma doença bastante perigosa para a saúde do doente, maioritariamente pelo risco em que se põe ao infernizar a vida aos familiares com os milhões de doenças que vão adquirindo como cromos numa caderneta (tão imaginários como as doenças que têm).
Convivi (e convivo) com alguns casos de perto e bem, não há nada como uma inside vision (das minhas então, ui), pois não?
Nota: uso "hipocondríaco" como exemplo geral, e não a referir-me a ninguém em particular.
Hipocondríaco + Internet = mau resultado. A Internet é uma fonte infinita de conhecimento, e o Google é uma boa ferramenta para acedermos ao mesmo... mas nas mãos do doente o Google é um portal para o país das queixas. A pesquisa torna-se uma forma de comprovar que tem qualquer coisa grave e de preferência crónica, isto porque o hipocondríaco tem que estar SEMPRE doente. Mesmo que tenha tanta saúde como um boi de cobrição alimentado a erva fresca o ano todo, o “doente” sente sempre sintomas das mais variadas doenças. Se tem uma enxaqueca, é provável que comece a espalhar aos sete ventos que tem um tumor no cérebro, se tem vista cansada vai dizer que tem glaucomas na família, ou pode desmaiar, e depois andar a contar que esteve em coma (true story) é mais ou menos o mesmo que todos os sintomas através duma lente que multiplica por 10 todo e qualquer sintoma.
Uma boa maneira de identificar um hipocondríaco é olhar para as pessoas que mais se queixam dos médicos. Obviamente que existem casos de negligência (maior ou menor, não vem ao caso), mas o hipocondríaco vê o médico como uma figura incompetente que não percebe a gravidade de uma situação – imaginária – tão grave como a que está de momento a passar. A verdade é que o hipocondríaco sabe mais de saúde do que o próprio médico. É perfeitamente idiota não ser logo metido de quarentena porque deu dois espirros e diz que tem a gripe das aves (H1N1).
Dizer-lhe que tem uma boa saúde, é o mesmo que espancá-lo com um berbequim ligado à corrente. Ficam indignados com a ideia de que estão sãos que nem um pêro, e vão (novamente) alegar a incompetência dos médicos e procurar novos sintomas no Google para se queixarem de novas coisas.
Um hipocondríaco efectivamente doente é tão agradável como beber uma garrafa de coca cola com ácido enquanto se faz o pino (cheira-me que seja bastante desagradável, mas nunca testei). Lembram-se do exemplo da lente? Pois, se serve para os sintomas, também serve para as doenças. Uma simples gripe torna-se caso de cuidados semi paliativos, e as dores de corpo são piores que as dores que Cristo passou na cruz.
A regra de ouro para a sobrevivência agradável com um hipocondríaco é nunca partilhar problemas de saúde (a não ser em casos extremos), porque a hipocondria é uma doença que se processa por osmose. Passo a explicar: Se partirem um dente e vos doer, e comentarem com o hipocondríaco, no dia seguinte ele vai ter dor de dentes. É fatal como o destino. E mesmo que a dor seja produto da imaginação, obviamente que vai ser pior que a vossa – que originou o “contágio” - e quem fica pior são vocês, que para além de terem tido dor de dentes a sério, têm que levar com as lamúrias infinitas do hipocondríaco.
A hipocondria é uma doença que mata!
Okay... não mata pessoas, mas mata paciências!
E acreditem que a minha é bastante grande e já tentou o suicídio umas quantas vezes.
E vocês?
Conhecem alguém que tenha este mal?
Como é que lidam com pessoas assim?
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(Não se esqueçam, é um post humorístico, não estou a menosprezar doenças alheias e nhenhenhe, só para evitar dramalhões)
[A ouvir: Fight For This Loe - Cheryl Cole]
[Humor:
Divertido
]