sexta-feira, junho 03, 2011

Uma chapada* por dia, nem sabem o bem que lhes fazia.

Admito. Não sou uma pessoa nada violenta.

Tenho 21 (quase 22) e nunca dei um soco em ninguém, nem me faz falta nenhuma – já dei com bolas de basquete e outras coisas mais pesadas, mas passemos em frente – porque não vejo os meus punhos, ou as minhas biqueiras como forma eficaz de resolver problemas.
A ultima vez que bati em alguém – intencionalmente – devia ter aproximadamente… 13 anos?
Há pessoas que me conseguem tirar do sério. A sério que há. E aquela imagem acima, corre-me livremente em frente dos olhos quando estou verdadeiramente irritado, mas isto não quer dizer que por me dizerem coisas que eu não quero ouvir, ou das quais discorde, que vou soltar o hulk interior.

Às vezes quando estou a entrar na “zona de perigo”, em vez de começar a barafustar ou a reagir de forma brusca, eu sorrio. É uma espécie de sorriso que estranhamente as pessoas percebem sempre que quer dizer “é melhor calares a boca ou acabas num beco com um buraco na traqueia grande suficiente para meter 5 bolas de golfe duma assentada”.
Não é preciso começar À porradaria, porque na maioria das vezes as palavras chegam para se resolver os problemas.

Não estou com isto a dizer que acredito que todos os problemas vão lá com umas conversinhas chochas e momentos de reflexão conjunta. (muito menos se forem assaltados e vos apontarem uma pistola à tromba)

O caralhete.

Muitas pessoas confundem ser-se zen, ou pacifista com ser-se cobarde.
Por não querermos entrar em guerras cada vez que nos acontece alguma coisa má, ou que alguém nos ofende de alguma maneira, não implica com isto que tenhamos que meter o rabinho entre as pernas e fugir atemorizados de qualquer tipo de danos colaterais… Oh não, não quer.
Pode resolver-se com palavras.
Palavras que não têm que ser necessariamente simpáticas, podem mesmo ser insultuosas, retaliadoras ou em tom de espicace.
Muitas vezes as pessoas mais atacadas são aquelas que não têm reacção. Verdade seja dita, é mais fácil atacar um mono que não se defende de qualquer maneira e prefere ir pró cantinho chorar a sua infeliz sorte do que uma pessoa que responde à letra.

Com esta onda de violência juvenil juro que não entendo qual é o problema das pessoas de hoje em dia. A sério que não. Espancaram uma miúda que chamou “filho da p****” a alguém. Então a reacção mais acertada, é juntarem-se dois ou três e darem-lhe um enxerto? Ahm… ok, claro, e de seguida vamos todos viver para dentro de grutas e comer carne crua.
O quê? É tudo da mesma época, paleolítica ou qualquer coisa do género.
Cambada de Neandertais com telemóveis e all stars.
Não vos ensinaram que a melhor arma, é o nosso cérebro?

Aliás, por alguma razão Deus nosso senhor me deu uma língua venenosa e um cerebelo a condizer, né?
Se não gostamos, ninguém nos obriga – a não ser em situações bastante esporádicas – a “engolir o sapo”. E nem estamos a ser bastante maduros por o fazer. Não temos que ser mártires nem que demonstrar uma indiferença superior (isso pode resultar com muitas pessoas, mas comigo não). Podemos sempre usar o belo do sarcasmo, o palavrão, ou qualquer coisa do género.
A melhor maneira de enfrentar um problema é vendo-o como uma coisa ultrapassável, alguma coisa que podemos resolver com a cabeça sem grandes esforços. Se quiserem usar os punhos é convosco né, mas cá para mim, os problemas resolvem-se à chapada.

À chapada mental.

* Chapada em Português de Portugal quer dizer o mesmo que “bofetada”. Em Portugal do Brasil quer dizer sob a influência de drogas. Só para os leitores que possam ser da terras de vera cruz.
PS: Ah e tal, isto é a participação deste mês da fábrica de letras

[A ouvir: Mixtape - Jamie Cullum]
[Humor: divertido]

13 comentários:

  1. Também nao sou pessoa de andar à pancada, mas há muito quem mereça...

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  2. Gostei. :)
    É assim mesmo!
    Mas claro que as pessoas estúpidas preferem usar a força física do que o cérebro. Taditas!

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  3. Dar uma boa chapada mental não está ao alcance de todos... Desatar à chapada sim (talvez tenham o cérebro na ponta do dedo mindinho...) ;)
    Bom fim de semana.

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  4. Quem não tem cérebro... a chapada e porrada para eles resolve! Comigo não... nunca levei nem nunca dei...e tenho telemóvel e all stars... pena que ainda haja como tu dizes pessoas que nunca saíram das cavernas... e não adianta ter "tudo"que é tecnologia... não a sabem usar! E logo depois de um cigarro ( seria?) nada melhor que ir tratar das coisas à pancada.. fica bem. Não há respeito nem educação... ora vamos ver para que temos mais jeito... A quem dá e quem leva.. costumo chamar-lhes trogloditas!

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  5. Jessica
    obrigado :)
    Miss Murder
    és tu e eu. tristeza.
    Caracóis
    Ai pois há, pois há.
    Sofia
    Qual cérebro?
    PFIA
    LOL bem verdade.
    PetiteLarousse
    é, estas gerações andam a regredir numas coisas em que deviam evoluir.

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  6. afinal, parece-me que um problema "resolvido" à chapada permanece "com problemas";

    esse mesmo problema baterá à porta várias vezes até que haja maturidade para enfrentá-lo com uma boa dose de raciocínio.

    Gostei muito do texto, Ricardo.

    Voltarei para muitos outros.

    Abraço.
    Ricardo

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  7. Excelente texto.Lúcido e bem redigido.Eu penso que muitas pessoas estão soltando "chapadas" a torto e a direito não para resolverem algum problema que porventura haja entre elas e os que receberam as chapuletadas (aqui no Brasil); estão batendo por bater, por viciações,por falta de valores morais,por preconceitos...por aí...ou seja,estão tentando resolver os seus problemas internos que deveriam ser resolvidos no divã do psiquiatra ou na camisa de força.Muita paz.

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  8. saudações meu caro!
    gostei muito de te ler ahah
    também participei no desafio da fábrica de letras,
    saudações otárias!

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  9. Ricardo, o problema da sociedade, a meu ver, está em se tentar resolver as coisas à lei da chapada. Pouca gente se defende com argumentos: pensar cansa; pesquisar dá trabalho
    ; conversar é para tolos... bora lá dar uns cauduços!
    Quanto à situaç
    ao dos miúdos e da filmagem HD nos telejornais, a problemática envolve muitos outros factores. Se calhar aqueles infelizes são os menos culpados...
    Abraço.

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  10. Em tom de brincadeira, ainda tens umas luvas de boxe que te protegem as mãozinhas.

    Agora a sério...
    A violência juvenil é de facto um problema que nos preocupa e tem de ser punido por quem o pratica, para evitar que nem tudo se resolve à estalada e puxa cabelo.

    Bem vindo à Fábrica de Letras!

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  11. Ricardo
    Sê bem vindo, espero que continues a visitar e a gostar de ler. é isso mesmo. o problema está lá, junto à possível nódoa negra e arranhadela xD
    Soninha
    O problema é que as pessoas preferem tacar logo a mão em vez de pensar um pouco. muitos desses problemas que se resolvem à chapada são coisas simples que iam lá com uma conversa.
    Otário
    Vou depois dar um olhinho na tua participação :)
    Arigato
    Catsone
    Exactamente, quer dizer quanto aos putos, vá é uma culpa dividida entre eles e os pais. embora a parte maior a meu ver esteja neles que acharam por bem fazer aquilo, mesmo que os pais não lhes tenham dito nada.
    Mz
    Obrigado ;)
    Pois é. como diz o outro... eu ainda sou do tempo... Em que as coisas eram um nadica de nada mais pacíficas. xD

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